Diária, minha cara, "Sorry, baby" ou um elogio à curiosidade, por onde começo?
Nesse quesito - talvez/acho que apenas nesse - estou contrariando na cara dura o que me disse o tarô de Clarice no dia 31 de dezembro. O Ás de Paus traz o mundo em uma das mãos, uma tocha gigantesca na outra e simboliza, entre outras coisas bem interessantes, novos começos. Achei bonito. Mas na escrita confesso que ando patinando neles, nos começos. Exemplo: era um Trecho esparsos sobre o Amor que se fez de um jeito na cabeça e foi virando outro no caminho pro papel e de repente lá estava eu escrevendo uma crônica questionando o trecho nem escrito até me perder na relação entre o conceito de "consistência" e a "permeabilidade dos sentidos". Me perdi, me perdi, diária. E cá estou novamente emaranhando dois assuntos que têm simsim ligação entre si apesar de distintos mas, né, vou tentar me aprumar em um começo único.
"Curiosidade mexida aqui" foi o que eu respondi a uma mensagem madrugueira e me peguei pensando que não damos o palco merecido pra esse sentimento que, putz, é tão tão crucial para nos sentirmos vivos de fato. Por que acho que a curiosidade traz uma inquietude específica que nos tira do lugar, abre espaço para vontades de descoberta, movimenta a vida enfim. Ela põe brilho no olho e nos empurra em direção ao desconhecido, ao novo. É através dela que, desde bebês, nos tornamos exploradores da nossa própria existência e do mundo ao redor e boto fé que viver sem ela deve ser parecido com estar morta em vida. E sei que não estou aqui descobrindo o fogo nem inventando a roda já que Tom Zé cantou essa pedra lá em 2014. Mas, uma vez fisgada e pensante sobre o tema, me vieram duas perguntas que julgo relevantes: 1- Cadê a curiosidade como sentimento indispensável na cabine de comando de Divertidamente? Cadê? Tsc, tsc, tsc. Pessoalzinho falhou feio no roteiro. 2- Por que não a usamos correntemente como verbo? A curiosidade é imperiosa demais pra não ser verbo, minha gente. Opa que taí um novo começo interessante para honrar meu Ás de Paus: curiosear amplamente em presentes passados e futuros de hoje em diante. Curiosear me parece mais eleborado, como se pincelasse a vontade pura da curiosidade com o tempero bom da ação. Taí. Imagine, diária, a beleza de dizer ou ouvir "eu te curioseio" que ok não é exatamente sonoro mas traz a delícia explícita desse comichão exploratório. E se eu tivesse elaborado isso antes, talvez teria inaugurado esse começo ontem, embaixo daquele bloco, num simples "Foi gostoso te curiosear hoje, sabia? ". Mas tá tudo bem, não se afobe não, diária, que nada é pra já. Outras vontades virão para serem livremente curioseadas. Na ação e na fala. Viva.
..…………………………………………………………………………………
Rádio Plutão
Nenhum comentário:
Postar um comentário